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História de Pentecoste Ceará

Antes de ser cidade, antes das ruas, das praças e das casas que hoje conhecemos, Pentecoste era apenas um lugar onde algumas famílias começavam a construir suas vidas.

Tudo teria começado por volta de 1860, quando Bernardino Gomes Bezerra, fazendeiro de Canindé, decidiu construir uma casa nas proximidades da Fazenda Barrinha, pertencente a Francisco Ferreira Azevedo. A intenção era simples: ter um lugar onde pudesse trazer a família durante o inverno.

Mas aquela casa acabaria sendo muito mais do que uma moradia.

A presença de Bernardino atraiu outras pessoas. Aos poucos, novas casas foram surgindo ao redor. O que antes era apenas um ponto de passagem começava a ganhar vida. Famílias chegavam, construíam suas moradas e, pouco a pouco, nascia um pequeno arraial.

Foi nesse cenário que surgiu a ideia de construir uma igreja.


Uma igreja no coração do povoado

Certo dia, durante a passagem do padre Francisco da Rocha pelo local, Bernardino aproveitou a oportunidade para conversar com o religioso. Perguntou se aquele seria um bom lugar para levantar uma igreja.

A ideia ganhou apoio.

Bernardino, o padre e outras pessoas interessadas ajudaram a escolher o local e deram início aos primeiros alicerces. Enquanto a pequena igreja começava a ser construída, outras famílias também levantavam suas casas ao redor.

E assim, quase sem perceber, o povoado começava a nascer em torno da fé.

Naquele período, a localidade ainda pertencia à freguesia de Canindé. Com o crescimento do povoado, porém, começou a surgir entre os moradores o desejo de ter uma freguesia própria.

Em 29 de setembro de 1869, a Lei Provincial nº 1.283 criou a freguesia, que recebeu inicialmente o nome de Barra.

Mas o destino ainda reservava outro nome para aquele lugar.

O dia em que Barra virou Pentecoste

A história conta que a primeira missa celebrada na nova igreja aconteceu em 1864, no Domingo de Pentecostes. O padre Manuel Lima teria aproveitado a presença dos moradores para propor que aquele dia tão especial ficasse marcado para sempre na memória da comunidade.

A sugestão era que o lugar passasse a se chamar Pentecostes.

O povo concordou.

Era uma maneira de transformar um acontecimento religioso em parte da identidade daquela terra.

Segundo a tradição registrada na história local, porém, houve um erro de imprensa no momento do registro oficial do nome. O “s” teria sido omitido, e Pentecostes acabou registrado como Pentecoste.

E foi assim que um erro acabou se transformando no nome pelo qual o município seria conhecido para sempre.

De povoado a Vila

O pequeno povoado continuou crescendo.

Em 23 de agosto de 1873, a Lei nº 1.542 elevou a localidade à categoria de Vila. Era mais um passo importante na caminhada de uma comunidade que havia começado com algumas casas ao redor de uma igreja.

A história administrativa de Pentecoste, entretanto, não foi simples. A vila chegou a ser suprimida em diferentes momentos e posteriormente restaurada. Em 1938, finalmente, veio o reconhecimento como município, por meio do Decreto-Lei nº 448, de 20 de dezembro daquele ano.

Mas a história de Pentecoste não foi construída apenas por leis e decretos. Ela também foi marcada por momentos de sofrimento, resistência e esperança.

Os três anos em que a chuva não veio

Entre 1877 e 1879, o Ceará enfrentou uma das maiores tragédias de sua história: a grande seca.

Em Pentecoste, a situação também foi devastadora.

A chuva não chegava. As plantações não vingavam. Os animais morriam e muitas famílias passaram a enfrentar a fome. A pobreza tomou conta da comunidade e algumas pessoas foram obrigadas a deixar Pentecoste em busca de sobrevivência.

Diante daquele cenário de desespero, o padre Luiz de Sousa Leitão decidiu agir. Sensibilizado com o sofrimento das famílias, buscou ajuda junto ao Governo para socorrer a população.

Os recursos chegaram e, segundo os registros históricos, o próprio padre ficou responsável por administrar a ajuda destinada ao povo.

Era um tempo em que sobreviver já era, por si só, uma demonstração de coragem.

Pentecoste e a libertação dos escravizados

Poucos anos depois da grande seca, outro capítulo importante seria escrito.

Em 1883, enquanto o Ceará vivia o movimento pela libertação dos escravizados, Pentecoste também participou daquele momento histórico.

Mesmo ainda sofrendo as consequências da seca, a comunidade não ficou de fora da campanha pela liberdade.

A celebração terminou com a leitura do documento de libertação, realizada pelo vigário Luiz de Sousa Leitão.

Naquele momento, a população de Pentecoste também passava a fazer parte de uma das páginas mais importantes da história do Ceará.

Quando a lei quase não existia

Nas primeiras décadas de sua formação, Pentecoste era ainda uma comunidade pequena, com poucas estruturas públicas e praticamente sem os serviços que hoje fazem parte da vida de uma cidade.

Não havia escolas públicas como conhecemos atualmente, e a presença do poder público era limitada.

E havia outro problema: o cangaço.

Os cangaceiros circulavam pela região e espalhavam medo entre os moradores. Sem segurança e diante da fragilidade das autoridades, muitas famílias viviam sob constante tensão.

A memória daquele período permanece em diferentes lugares do município, onde, segundo relatos históricos, ocorreram confrontos e derramamento de sangue.

Era um Pentecoste muito diferente daquele que conhecemos hoje.

A chegada da água que mudou uma cidade

Mas talvez um dos acontecimentos mais marcantes da história recente do município tenha acontecido em 14 de janeiro de 1957.

Naquele dia, Pentecoste viveu uma grande celebração: a inauguração do Açude Pereira de Miranda.

O acontecimento reuniu uma multidão e contou com a presença do então presidente da República, Juscelino Kubitschek.

Para uma população acostumada a conviver com os efeitos da seca, a chegada do açude representava muito mais do que uma grande obra.

Representava esperança.

O povo acompanhou a solenidade com entusiasmo. Pela primeira vez, muitos moradores tinham diante dos olhos uma obra que poderia ajudar a transformar a relação da comunidade com a água e com a própria sobrevivência.




Raimundo Moura

Radialista formado, blogueiro, graduando em serviço social e Conselheiro Tutelar, atualmente apresento o Programa Alerta Geral Vale do Curu pela 91.9 de Pentecoste e colaboro com o Jornal Integração da Atitude FM de Itapajé.

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