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Morte e desabamento em Frecheirinha



Ó Deus, eu pedi para o sol se
esconder um pouquinho
Pedi pra chover, mas chover
de mansinho
Pra ver se nascia uma
planta no chão”
(“Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho, famosa na voz de Luiz Gonzaga)


Em qualquer canto da cidade, todo mundo dá conta da destruição. Depois de 192 milímetros de chuva, de segunda-feira para ontem, Frecheirinha, a 305,3 quilômetros de Fortaleza, contabiliza a queda de 10 casas e a morte de um homem, eletrocutado após ser atingido por um fio caído do poste. Além das residências derrubadas pela força da água, outras tiveram perdas parciais, com o desmoronamento de paredes e o risco de desabamento. A construção antiga de muitas delas, feita com tijolo branco, contribuiu para a derrubada.

A rua Regino Custódio, no Centro, foi a mais atingida. Em um quarteirão da via, quatro casas caíram. Foi lá onde Francivaldo Ferreira da Silva, 21, morreu. Ele, que trabalhava como servente de pedreiro, ajudava os vizinhos a retirar os móveis de casa durante a chuva na noite de segunda. Carregou televisão e ajudou a levar o botijão de gás de outros moradores, mas não viu o fio pendurado no meio da rua.

Caiu por cima do fio e morreu na hora. Segundo os moradores da rua, os técnicos da Companhia Energética do Ceará (Coelce) que tentavam resolver a falta de energia elétrica na rua foram embora quando viram Francivaldo estirado no chão. “Eles saíram e nem deram explicação. Viram meu irmão morrendo, ligaram o carro e foram embora”, denuncia a irmã de Francivaldo, Eliene Ferreira Silva. A casa onde ela morava com mais dois irmãos e os pais encheu d’água. Quando soube da notícia, ela ajudava a afastar os móveis, amontoando-os. Todos iriam dormir na casa de parentes com medo de que a residência viesse abaixo. O povo alarmou e ela correu para a rua. “Estou abalada demais”, contava, durante o velório do irmão, na tarde de ontem.

Foi o botijão de dona Luiza Maria de Sousa que Francivaldo ajudou a tirar da casa dela, que caiu totalmente. Na construção de nove compartimentos, só restaram entulhos. Ela morava com o marido, a filha e o cunhado. Quando ouviu o barulho vindo da parede, começou a juntar as coisas para ir dormir na casa do irmão. Na hora, só se lembrou dos documentos. “Foi muita água. Minhas coisas estão tudo aí embaixo”, disse, apontando para o monte de destroços.

As roupas também ficaram lá. Cheias de lama, depois da inundação. “Já entrou água antes, mas nunca deste jeito”, comentou. Agora, dona Luiza, que há 14 anos morava no mesmo local, vai viver de aluguel. Achou uma casa por R$ 100. Caro para ela, mas não havia outra solução. A casa do lado também caiu. Ontem, ela voltou para buscar o que sobrou na cozinha. Entrou, saiu e não falou com ninguém. Só chorou.


OPOVO
Raimundo Moura

Radialista formado, blogueiro, graduando em serviço social e Conselheiro Tutelar, atualmente apresento o Programa Alerta Geral Vale do Curu pela 91.9 de Pentecoste e colaboro com o Jornal Integração da Atitude FM de Itapajé.

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