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Feira de Alimentos Agroecológicos do Território Vale do Curu e Aracatiaçu é tema da Restrepo Gastronomia

As Feiras Agroecológicas Solidárias são espaços onde as famílias agricultoras comercializam seus produtos totalmente livres de agrotóxicos e ainda fortalecem a organização comunitária de produção. O projeto é coordenado pelo CETRA – Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria e do Trabalhador – e foi fundado por um grupo de advogados com o intuito de ajudar famílias de agricultores no direito por suas terras. Com um tempo depois o trabalho se modificou para a área de assistência técnica voltado para a produção de alimentos agroecológicos, e hoje possui uma sede em Fortaleza com atuação em outros territórios de identidade rural.

Carla Galiza


Carla Galiza, agrônoma formada pela Universidade Federal da Bahia, e que atualmente compõe a coordenação técnica onde se trabalham os projetos que são desenvolvidos dentro do CETRA, ressalta que os trabalhos vão paraalém da produção de alimentos, "A gente executa assistência técnica de extensão rural com o INCRA, projetos direcionados para a juventude, iniciando um trabalho com a comunidade indígena, tecnologias de convivência com o semiárido com o sistema de cisternas por família, política públicas de mulheres, de juventude", disse Carla.

A agroecologia envolve diversos processos para o resgate da autonomia das famílias, a importância da preservação de sementes que não são híbridas (crioulas), o fortalecimento da agricultura tradicional e rompimento com a prática convencional que, infelizmente, ainda é utilizada em larga escala junto com seus produtos químicos e práticas que degradam solos e vidas. 

Quando questionada sobre o funcionamento dos saberes populares, Carla responde "A construção do sistema agroecológico se dá na base do saber empírico, o saber popular agregado com o nosso saber acadêmico".

"O primeiro passo desse trabalho é alcançar a segurança alimentar e nutricional da família", disse Carla e ainda enfatiza “Não é só o milho e o feijão. É a diversidade de produção como era nos antepassados, é o inhame, é a mandioca pra fazer a farinha, são as frutas, são os grãos, são as flores, são as plantas medicinais, várias plantas diversificando para garantir essa segurança alimentar e nutricional”, completou Carla. "Após essa etapa, é gerado umexcedente de produção, que é o que é comercializado nas feiras solidárias e em lugares diversificados", disse a respeito dos produtos que são comercializados na feira.

Produtores e Consumidores frente a frente na aquisição e venda de produtos

Perguntamos ainda como está o cenário atual da agroecologia no estado, Carla responde: "Apesar de estar no quinto ano de estiagem, e isso compromete muito a produção de alimentos, a gente tem nesses últimos 10, 15 anos avançado muito na perspectiva da agroecologia O número de famílias e de comunidades que hoje praticam a agroecologia, e que não só na prática da agroecologia mas que se envolvem nos processos, nas discussões políticas, tem avançado muito. O valor numérico de recursos investidos dentro de ações pra agroecologia, ele avançou muito", disse Carla. 

Percebe-se a preocupação dentro desse modo de produção, em mostrar que é possível a produção de outros tipos de alimentos, e não só dos que são mais cultivados como o milho ou o feijão, Carla conta que há a resistência de uma grande parte das famílias agricultoras, alguns recusam a mudar de um método convencional para o tradicional, sem uso dos pacotes tecnológicos advindos da chamada Revolução Verde.

Quando perguntada sobre como um profissional da Gastronomia poderia ajuda-los, ela diz:

"O profissional da Gastronomia poderia ajudar muito, pois estamos passando por um processo de beneficiamento de produtos, uma discussão que envolve a rotulagem nutricional dos produtos que são comercializados. Além de práticas de oficinas de resgate gastronômico e cultural de sementes nativas e na produção de várias receitas que hoje se perderam. A Gastronomia tem tudo a ver com que a gente faz, a segurança dos alimentar e nutricional, o resgate dos alimentos crioulos, dialoga com o que a gente faz", disse Carla.

Agora confiram algumas imagens do que encontramos nessa feira maravilhosa!

Beiju para Degustação

Mel de Abelha Nativa - R$8,00

Carimã própria para fabricação de Beiju

Castanha Tostada - R$1,00

Tapioca Agroecológica

“Aqui em Fortaleza você vê a feira agroecológica do Benfica, de 6 ou 7 anos, que acontece de 15 em 15 dias, essa feira agroecológica e solidária de Itapipoca, que foi a primeira que a gente começou a trabalhar ela era uma vez por mês e hoje já é semanal e a partir dela se criou outras feiras. Se estão surgindo mais feiras é porque tem demanda de consumo e as pessoas buscam um consumo consciente. As pessoas vão lá e querem conversar com o agricultor, querem o contato, o conhecer, é diferente de buscar o consumo de um produto só pelo fato de ele ser orgânico, sem saber das etapas até ele chegar apenas para a comercialização, que no caso das feiras é outro diferencial", disse Carla.

Também perguntamos a Carla se os consumidores também procuram seus produtos por se tratarem de alimentos mais saudáveis, ela diz: "A demanda de alimento saudável não tem crescido só aqui no Nordeste, no Ceará, mas nomundo! As pessoas anseiam por isso, mas eu acho que a gente tem que trabalhar esse consumo consciente a partir não só de que é um alimento saudável que não vai me trazer doença, mas na perspectiva do que significa esse alimento. E isso tem que ser ampliado", completa Carla.

Pimenta Malagueta

Limão Agroecológico

E não terminou aqui, tivemos uma oportunidade ímpar nessa mesma tarde, um daqueles momentos que nos fazem refletir e valorizar cada vez mais essas pessoas, que nos fornecem tudo isso com muito carinho, esforço e dedicação diária. Tivemos a chance de entrevistar o agricultor Francisco Braga, mais conhecido como Chico Novo e ele deu uma palavrinha conosco. Começamos perguntando a quanto tempo ele trabalha com a agro ecologia e como elamelhorou sua vida e de sua família:

"Melhorou de um tudo, do trabalho ao custo de vida, conhecimento, tudo mudou. Mudou porque na época antes de eu entrar na agroecologia era só do roçado pra casa, tinha aquele costume de fazer queimada, de usar aqueles veneno, e hoje ninguém usa mais esse tipo de coisa, agora é tudo natural, tudo que nós fazemos é orgânico, não tem mais aquele veneno que fazia mal pra nós. E tudo eu aprendi com meu pai. Depois de ir pra agroecologia, com o CETRA, ai foi me ensinando como agente faz e hoje sou bem aprendido.", disse Chico Novo.

Sr. Chico Novo é uma pessoa de carisma sensacional e dono de um saber que encontramos em poucas pessoas, logo, continuamos a entrevista perguntando se suas técnicas melhoraram com o tempo e se seus produtos são bem reconhecidos, ele diz: 

"Hoje tudo é mais moderno, tem aquelas parceria que ensina a gente, tem a parte individual, mas tem muito docoletivo. Todos os meses nós temos visita em cada agricultor mas não e vigiando o que ele quer fazer, mas é ajudando, vê se tá precisando de alguma coisa. E a gente espera melhorar cada vez mais, hoje tá melhorando bastante, da pra viver melhor. Na nossa cidade já conhecem nosso produto já tem bem mais reconhecido do nosso trabalho. E meus filhos é comigo o tempo todo. O mel aqui é tudo produzido por nós é tudo do nosso assentamento. E o que eu mais gosto, o que tá mais valorizando é a goma fresca. Eu acho que é devido a qualidade dela, já tá conhecida nas feira, quando eu chego tem outras mas eles só querem se for dela [minha], já tem a tradição os clientes (risos)", disse Chico Novo.

Agricultor Chico Novo - Itapipoca

Mais algumas imagens das delícias que encontramos na feira:

Melancia Agroecológica

Degustação de Tapioca

Também tivemos uma honra imensa em conversar com outro agricultor, Sr. Moacir, 55, natural do Trairí. Uma pessoa humilde, trabalhadora e sonhadora. Com um ar de inocência e um quê de experiência. Diferente de todos aqueles que já conheci, Moacir trazia um sorriso e uma áurea difícil de se sentir. Vendia cada produto como se fosseuma parte de si mesmo, com atenção e respeito em cada elemento. Logo, após comprar alguns produtos com ele, esperar as dezenas de pessoas terminarem suas compras também, esperei Moacir desocupar e ele nos deu o prazer de dar uma palavrinha conosco.

Como a agroecologia pode melhorar na vida das pessoas que?
"Rapaz é o seguinte, tá com sete anos que eu entrei em parceria com o CETRA trabalhando com produtos naturais, viu, aí logo que começou ninguém sabia nem o que era feira, e exclusivamente nos formamos a feira lá onde nós vivemos, e pra mim a grande coisa é que é produzido sem agrotóxico, sem nenhum veneno, puro, que é colhido por nós das nossa mãos, única e exclusivamente. Agora de madrugada eu levantei chovendo e colhi essas plantinhas aqui [alface], em plena chuva 05h da manhã, produto natural pra trazer pra cá. Nosso produto é de qualidade", disse Sr. Moacir.

E como era o trabalho antes da Agroecologia?
"Antes a gente trabalhava e o resto que sobrava a gente jogava no mato, não tinha distribuição de nada, que a gente não conhecia. A gente só plantava um canteirinho só pra comer vez o outra, e a gente ia pra cidade comprar produto com veneno, o tomate o pimentão. Agora a gente plantando vai dando certo. E agora pro agricultor plantar isso aqui, ele tem que carregar com ele a grande fé em Deus e paciência. Agora no inverno da um descontrole. Por exemplo o Coentro, ele gosta d'água e não gosta de chuva, e o pimentão é mais resistente, sabe", disse Moacir.

Quando perguntado sobre o que as pessoas mais procuram em sua barraca nas feiras, ele diz: "O que o pessoal mais procura aqui é o Couve Manteiga, o coco e o feijão."

Conversando ainda sobre os trabalhos, Moacir conta como era o trabalho convencional: "De primeiro, a gente só fazia mais agricultura de milho, feijão e a roça [mandioca], e nós colhia o milho e o feijão, fazia as comida e o resto a gente dava aos bichos. Só que nessa nova agricultura eu não conhecia, foi quando os meninos entraram que eu conheci. E durante o primeiro ano quase que eu desistia devido as dificuldades", disse Moacir.

Em um certo momento da nossa conversa, Moacir diz: "A planta que o agricultor planta ele conhece como conhece um filho, pois ele acompanha todo o crescimento até ele dar a uma pessoa.", disse Moacir. Nessa hora, eu engasguei, pois esse tipo de sensação a gente não sente todos os dias, pois vivemos num mundo que não se crê muito em pessoas boas e sinceridade, foi quando me emocionei durante a entrevista. Ao meu ver, nem essas pessoas sabem o valor que tem indiretamente, e agora para mim diretamente, em nossa vidas.

Sr. Moacir

E para finalizar, se não bastasse toda a emoção que ele já havia me propiciado em apenas oito minutos, pergunto a Moacir o que as pessoas que ainda não conhecem a Agroecologia devem fazer, ele diz:

"Quem não conhece venha visitar nossas feiras, e procure umas pessoas como nós, que nós somos agricultores mesmo, nós nascemos e se criamos na agricultura desde pequeninho", disse.

Feira Agroecológica e Sustentável

E é com essas belas palavras que terminamos a nossa matéria. Espero que a partir disso vocês, leitores, possam valorizar cada vez mais essas pessoas, seus produtos e suas vidas. 

Obrigado pela leitura!

Por: Leandro Restepo e Ilana das Neves
Imagens: Leandro Restrepo
Agradecimentos: CETRA, Carla Galiza e equipe
Evento: Feira Agroecológica e Solidária, sempre na primeira sexta-feira do mês.
Endereço: Capitão Gustavo, 3842, (Próx. a Pontes Vieira) - São João do Tauape - Fortaleza

Fonte: http://restrepogastronomia.blogspot.com.br/2016/04/restrepo-visita-feira-agroecologica-e.html
Raimundo Moura

Radialista formado, blogueiro, graduando em serviço social e Conselheiro Tutelar, atualmente apresento o Programa Alerta Geral Vale do Curu pela 91.9 de Pentecoste e colaboro com o Jornal Integração da Atitude FM de Itapajé.

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