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MARES DO SERTÃO




'Tudo respira dessa aguazinha'





O sol começa a surgir em mais uma manhã de sábado, dia de feira em Pentecoste, cidade a 85 km de Fortaleza. Sob a ainda frágil luminosidade, aparecem os primeiros barcos riscando as águas do açude Pereira de Miranda, mais conhecido pelo nome do município que o abriga, trazendo os moradores das ilhas situadas dentro daquele manancial. Até o início da tarde aproximadamente 50 embarcações farão os trajetos de ida e volta entre as ilhas e a área urbana. Todos os sábados a movimentação dos moradores das ilhas do Pentecoste se repete em busca da feira. É lá, em meio a conversa jogada fora e o escambo de mercadorias, que se dimensiona a importância do açude para aquela gente que mora a sua montante. Na vinda, as embarcações trazem bodes, galinhas, peixes, verduras. Na volta, levam engradados de cerveja, roupas, panelas, redes e notícias dos parentes e amigos. Quinto maior açude do Ceará com sua bacia hidrográfica cobrindo área de 2.840 km e capacidade de acumulação de 395.630.000 m³, a conclusão em 1957 da barragem Pereira de Miranda mudou a feição da região. Hoje, o Pereirão é responsável pelo controle das cheias do rio Canindé e do riacho Capitão-Mor, a perenização do rio Curu, a irrigação das terras de jusante, juntamente com as águas armazenadas no açude General Sampaio, a exploração da piscicultura e o aproveitamento para culturas nas áreas de montante. Digno de contemplação por quem lança a vista sobre aquele mar, o Pereirão exige muito mais de quem pretende entender a dinâmica de sua relação com a população local. Dinâmica refletida nas histórias dos pescadores, nas fotos de seu Raimundo Lopes Neto marcando etapas da existência do açude, ou na frase solta ao acaso pelo técnico da Cogerh, Henrique Gomes, quando diz: ''Daqui até Paraipaba tudo respira dessa aguazinha que sai do Pentecoste´´. A aguazinha a que se refere Henrique Gomes alimenta o rio Curu à jusante do Pentecoste em uma extensão de 68 km. Estrada de água realimentada pelos açudes General Sampaio, Caxitoré e Frios, até Paraipaba. No trajeto, atende aos perímetros irrigados Curu-Pentecoste e Curu-Paraibapa, no total de 4.425 hectares plantados com coco, cana-de-açúcar, citros, acerola, banana, mamão e feijão vigna. Mas se à jusante, a água do Pereira de Miranda gera renda através dos perímetros irrigados, é na montante que surge a maior preocupação. A falta de conscientização das populações ribeirinhas tem provocado a degradação ambiental nos afluentes do açude com prognósticos nada animadores. Segundo Antônio Alzemar, técnico da Ematerce e presidente do Comitê da Bacia do Curu, ''hoje a água do Pereira de Miranda ainda é própria para consumo. Mas do jeito que a situação está, a tendência é em alguns poucos anos não servir nem para beber". PERFIL: AÇUDE PENTECOSTE Nome: Pereira de Miranda Inauguração: 1957 Localização: Pentecoste (a 85km de Fortaleza), no Norte do Estado Bacia: Curu Capacidade total: 395.630.000 milhões m³ Capacidade atual (*): 204.950.000 milhões de m³ (51,8%) Última vez que sangrou: 2004 Vazão: 2.500 litros/s pela válvula dispersora a jusante Rio barrado: Canindé Atende a quê: A perenização do rio Curu; a irrigação das terras de jusante, juntamente com as águas armazenadas nos açudes General Sampaio, Caxitoré e Frios, até Paraipaba, para abastecer os perímetros Curu-Pentecoste e Curu-Paraipaba; a exploração da piscicultura e o aproveitamento para culturas nas áreas de montante. (*) Em agosto/2007 Fonte: Cogerh O que causa a degradação - Falta de saneamento básico nos municípios que compõem a Bacia do Curu, lançando dejetos no leito dos rios e riachos que abastecem os grandes reservatórios. - Utilização desordenada do solo às margens dos rios, riachos e açudes. Aliado a isso, há o uso excessivo de produtos químicos. A comercialização desse produto é muito comum na região e o uso é indiscriminado. A tendência é causar a mortandade de peixes e a impossibilidade do uso da água para consumo. - Através de um levantamento dos lixões no município de Pentecoste, observou-se que os mesmos também apresentam sua localização próxima aos mananciais hídricos, podendo vir a comprometer não somente o ambiente onde se é depositado os resíduos sólidos, mas comprometer o lençol freático, os aqüíferos e até mesmo o leito do rio Curu, que fica muito próximo da zona urbana. - Outro aspecto que merece uma atenção especial é o lixo hospitalar (Hospital Fundação de Saúde do Município de Pentecoste), que é jogado diretamente no lixão sem tratamento e que, às vezes, serve de brinquedo para as crianças. - A rede de distribuição de água na sede do município é de aproximadamente 24.970m de extensão e atende 3.475 ligações residenciais, beneficiando uma população de 14.024 habitantes. As populações da zona rural não dispõem de água tratada. - O sangradouro do Pentecoste está próximo a uma canal de aproximação com vegetação semi-arbustiva e construções irregulares. - Construções particulares dentro da área de preservação permanente. A permissão para casas é de 800 metros da margem, mas isso não é obedecido. - Área de Preservação Permanente (APP) totalmente invadida por construções urbanas sem qualquer saneamento básico nas proximidades dos bares e restaurantes que formam o pólo de lazer às margens do Pentecoste. Nas águas do Pentecoste - Mais de 50 barcos fazem o trajeto em dia de feira no açude Pentecoste, dando até cinco viagens. No dia normal, 200 canoas passeiam pelo açude em busca da pesca. O passeio é tranqüilo e em 40 minutos se chega a ilha da Malhada, a primeira do açude. Com o vento, aumenta a marola no leito e essas pequenas ondas crescem no encontro das águas que formam os rios Canindé e Capitão-Mor. Ao longo do passeio não é difícl encontrar retratos da degradação ambiental. Quase nenhum dos barcos viaja com coletes. Quando se vê pessoas com colete nos barcos, os pescadores já pensam que é alguém do Ibama, afirmam os técnicos do Cogerh. Orgulho do Pereirão - Raimundo Lopes Neto, comerciante de um restaurante na beira do açúde, não se furta a conversar sobre o maior símbolo da cidade. "Aqui o açude é um grande desenvolvimento para o município". Ele mantém no estabelecimento várias fotos de etapas do Pentecoste e se anima quando as expõe ou conta as histórias do local para os visitantes. Vida depois do cemitério - Depois da liberação pelas válvulas dispersoras, a água do Pentecoste ganha dois caminhos: os perímetros irrigados por tubulação e o leito do rio Curu. "Essas águas voltam a se unir depois do cemiteriozinho de Pentecoste. Ali o Curu ganha nova vida", diz Henrique Gomes, técnico da Cogerh. Tensões - As tensões sobre o uso da água afloram no comitê de Bacia. Se na jusante a briga é dos colonos que querem mais água, à montante é por não soltar. Todo dia tem problema. São pessoas que não conhecem as normas e às vezes, os que conhecem, não as respeitam. Pirarucu - O DNOCS mantém um centro de pesquisa na região com a liberação da água do Pentecoste. Começou a funcionar em 1969 e é dirigida pelo professor Pedro Eymar. Ali se produz alevinos e é utilizada também para trabalhos de extensão universitária. No local está sendo estudada a adaptação do Pirarucu, peixe tipicamente da Amazônia, ao Nordeste, com a intenção de levá-lo para viver em cativeiro. Malhada de Baixo - A caminhada de uma margem à outra da Malhada, ilha do Pentecoste, leva cerca de 40 minutos. Sob o sol forte, o garoto Joserlan, guia que nos leva na travessia, conta casos, fala sobre futebol, política e relata o dia-a-dia no lugar. No outro lado mora seu Dico, 75, um dos moradores mais antigos. Velhinho e debilitado pela gripe, fala pouco. A pesca está fraca, relata pelo que ouviu dizer, já que não pesca mais. ''Tem muito pescador na região. Os pescadores mesmo dizem que os peixes estão ficando velhacos´´.






Raimundo Moura

Radialista formado, blogueiro, graduando em serviço social e Conselheiro Tutelar, atualmente apresento o Programa Alerta Geral Vale do Curu pela 91.9 de Pentecoste e colaboro com o Jornal Integração da Atitude FM de Itapajé.

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