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Do sertão para o mundo: PRECE chega aos 25 anos

Há 25 anos, moradores de comunidades rurais de Pentecoste se uniram na construção de uma história coletiva. Sete estudantes e o professor universitário Manoel Andrade são cantados como os primeiros precistas. Construiu-se não um grupo, mas uma família. Os vínculos se sustentam em uma base fraterna e a objetividade cede espaço à subjetividade dos afetos. Orismar Barroso, um dos sete primeiros estudantes, há seis meses combatia um câncer de estômago. Domingo (15), a sua presença tornou-se uma lembrança.


Demonstrações de carinho povoaram as Redes Sociais. “No PRECE, foi dentre nós o que mais nos conheceu, foram muitas histórias de vidas gravadas por ele no Memorial do PRECE, mas talvez, tenha sido a história de vida dele a que mais nos impactou”, escreveu o Professor Tony Ramos. Como um bom contador de histórias, Orismar preocupava-se com a memória do PRECE, acreditava que as vivências deviam ser compartilhadas para possibilitarem novas experiências. Integrante da equipe do Memorial do PRECE, em 2011, participou da coleta de mais de uma centena de histórias de vida. Gravou em vídeos as histórias que ouviu, mas também contou a sua.

“As coisas boas parecem que a gente recebe e ficam na mente da gente”. Disse ao retirar da memória, pelas orelhas, o menino que foi em Parnaíba, a comunidade rural que apresentava como “bucólica e agradável”. Com as peraltices de infância a guiar sua narrativa, confessou:

[...] Menino levado, se fazia caçador. Criado solto pelos terreiros seguia às meninices reinantes. Munido com uma baladeira, unia-se ao bando de atiradores. Os passarinhos atingidos serviriam de alimento. “Quando eu acertava, eu tinha uma certa vontade de matar a arvorezinha (sic), a rolinha ou outro passarozinho(sic) lá típico da nossa região. E quando eu o matava, quando chegava lá e via o bichim todo cortado da pedra, me dava uma pena muito grande, então, eu logo... Eu parei com essa prática, parei mesmo, e não dá pra mim matar passarinho, eu tenho pena de matar os bichinho, não matava realmente... Matei alguns, mas isso me cortava o coração”. Orismar continua a correr atrás de passarinhos. Sem baladeiras em punho, persegue o canto e o desenho feito com o movimento das asas em voo. [...]*

Orismar se fazia de sonhos e os compartilhava com quem aceitasse imaginar um outro jeito de ser e de estar no mundo. “Lembro que quando trabalhávamos juntos, ele nunca deixava de ir no meu cantinho e me dar uma boa tarde com a sua caneca verde na mão! Não teve uma tarde que não fosse”, postou Jéssica Araújo, estudante da UFC. Cada frase publicada nas redes relembra um gesto distinto de gentileza e amizade. “Foram muitos momentos que vivi com o nosso querido Orismar, e rememorando alguns agora, percebi que sempre que ele estava por perto tudo era alegria, cooperação, descontração e muito trabalho em equipe. Sempre disposto a aprender e a ensinar.” Contou a jornalista Caroline Avendaño. Orismar compartilhava poesia, sua forma de ensinar era literária. Suas palavras que fingiam-se de rebuscadas nos enchia de alegria e ressaltava a simplicidade e honestidade dos seus gestos.

Em 2014, em parceria com a UFC e a SEDUC, a UECE realizou atividades extensionistas sobre Aprendizagem Cooperativa. Como facilitador, Orismar compartilhou um pouco de si com os estudantes. Na terça-feira, após ver a movimentação nas redes, Mayamia Figueiredo, do curso de pedagogia, procurou a equipe do PRECE para compreender o que havia acontecido e demonstrar a sua consternação. “A história dele transformou a minha visão de mundo”, disse ao se despedir. A psicóloga Marília Studart, lembra que Orismar atraia-se pela generosidade, como um semeador fraterno. “Imagino que nesse mundo que divulga tantas más noticias, já tenha chegado o tempo de registrarmos as histórias de amor, bondade e esperança! Imagino que o céu deva estar cheio de gente que não teve oportunidade de contar suas histórias de bem, quem sabe Orismar não continue a gravar memórias celestiais que um dia assistiremos juntos no grande colo de Deus Pai! Registra tudo por aí, meu amigo, que um dia quero assistir!”, dialoga conosco e com ele.

“A sensação de perder alguém tão cedo é tão marcante em nossas vidas, só é confortada por sabermos que você, Orismar, foi um bom homem, um bom amigo, esposo e pai. Vamos ficar com saudades de todas as histórias e de todos os momentos partilhados, mas com a certeza de que fomos privilegiados por desfrutar de sua presença”, compartilha Aurenir Luz a traduzir, mesmo sem saber, o que todos sentimos.

*Trecho do Perfil elaborado pelo Memorial do PRECE sobre Orismar Barroso

Raimundo Moura

Radialista formado, blogueiro, graduando em serviço social e Conselheiro Tutelar, atualmente apresento o Programa Alerta Geral Vale do Curu pela 91.9 de Pentecoste e colaboro com o Jornal Integração da Atitude FM de Itapajé.

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